quinta-feira, 5 de julho de 2012

Filantropia


                        Viver numa sociedade onde ocorre a divisão de trabalho entre seus membros não é um fato exclusivo entre os seres humanos. Algumas espécies de insetos, como as abelhas por exemplo, praticam harmonicamente uma natural hierarquia funcional, influenciada por uma pré-disposição genética. Numa colmeia, zangões com um patrimônio gênico reduzido diferenciam-se das operárias e das rainhas, tanto em tamanho quanto em sua participação sistemática na sociedade melífera.

                        O fato mais determinante que nos diferencia dentre os demais personagens da  diversidade faunística do planeta – além da capacidade racional acentuada – é a sensação de compadecimento que podemos ter uns pelos outros. Dessa forma, movidos  por um espírito fraterno, somos levados às mais diversas ações para atender aos mais necessitados, àqueles que ainda, infelizmente, figuram negativamente as estatísticas sociais ou ambientais.

                        Segundo os registros históricos, o termo filantropia é atribuído a Flávio Cláudio Juliano, um imperador romano com breve mandato de 20 meses, iniciado no ano de 361 dessa Era Cristã, encerrando-se precocemente com sua morte.

                        Juliano foi severamente combatido pela Igreja Romana pelo fato de dar valor ao paganismo, reconhecendo-o como uma forma de religiosidade. Sua atitude teve classificação herética por parte das autoridades religiosas, passando a ser considerado um apóstata, pois renuncia sua condição de cristão, ao reconhecer tais manifestações populares com todo seu escopo religioso tido como pagão, desconsiderados pela hegemonia católica daquela época.

                        Assim, o surgimento da expressão filantropia aparece como uma forma alternativa no lugar da tão pregada “caridade”, sedimentada nos meios do catolicismo daquele tempo, reiterada por campanhas fraternas nos dias de hoje. Ainda nesse sentido, movimentos espiritualistas modernos chegam a sugerir que “sem caridade não há salvação”, numa alusão explícita de que todo ato humano está sujeito a uma aprovação divina, numa perspectiva de se conquistar as graças da salvação.

                        Saindo da seara religiosa, a filantropia figura como o mais puro amor à humanidade, seja realizada por iniciativa individual, como também por uma ação coletiva e organizada em clubes de serviços, intervenções governamentais, movimentos de instituições privadas ou simplesmente por comoção de grupos formados para  sanar necessidades emergenciais.

                        Ademais, o filantropo não fica restrito apenas em auxiliar o seu próximo, ao indivíduo de sua própria espécie. Sua ação inclui o socorro aos animais abandonados que não contam com a sorte da assistência de um responsável; aos animais silvestres, na garantida de uma ambiente que possibilite sua perpetuação e as plantas que, exploradas de forma impiedosa, veem-se na eminência da extinção, agravando incisivamente o aspecto ambiental do planeta.

                        Por fim, a filantropia é tida como a prática incondicional para o atendimento das mais variadas necessidades que podem atingir direta ou indiretamente o ser humano, num exercício efetivo do humanismo na busca da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
 
Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor

terça-feira, 19 de junho de 2012

Duas rodas, feitas pra cair?





Absolutamente, não!

Para os não adeptos do motociclismo, um dos argumentos mais freqüentes para inibir o uso da motocicleta é o de que se trata de um veículo instável sob duas rodas.

Utilizam-se dessa máxima para desencorajar quem quer que seja para o risco de se pilotar “algo” que não disponha de pelos menos três pontos de apoio e garantir uma estabilidade por si só, pois o equilíbrio da máquina mesmo em repouso estaria garantido.

Porém, a leis físicas da cinética demonstram que é perfeitamente possível e seguro o deslocamento de um corpo sob duas rodas num eixo longitudinal.

Somando-se a eficácia do impulso, a baixa inércia permite a saída do estado de repouso da motocicleta, garantindo sua estabilidade durante a trajetória, com uma combinação de forças em equilíbrio numa trajetória linear.

O que pode provocar uma variação no eixo de estabilidade e, promover uma queda pelo fato de se extrapolar o centro de gravidade da motocicleta em movimento são dois fatores determinantes: os endógenos e os exógenos.

Os endógenos, referem-se as condições psico-fisiólogicas do piloto, ou seja, as suas condições de avaliação e discernimento com relação ao ambiente em que trafega.

No campo psicológico, os acidentes geralmente estão associados ao estado mental em que o motociclista se encontra.

Stress, estado de ânimo alterado após uma situação indesejada, uso de álcool e outra drogas, incluindo-se certos medicamentos, dores, o comprometimento dos sentidos e, até mesmo um mal súbito podem justificar uma queda ou colisão.

Já os fatores exógenos, independem das condições da motocicleta e de seu condutor, desde que a máquina se encontre em perfeitas condições de uso e que o motociclista esteja em suas plenas condições mental e física.

Claro que a destreza e prudência são peculiares a cada um, mas isso faz parte de fatores endógenos, desenvolvidos a partir de suas experiências de pilotagem.

Como elementos exógenos e que poderiam provocar a instabilidade da motocicleta, ocasionando a queda de seu condutor, estão as condições de rolamento de sua máquina, ou seja, a perfeita aderência do pneu, adequado ao piso em que se trafega e, evidentemente, levando-se em consideração os demais aspectos mecânicos e/ou elétricos. 

Pista molhada diminui o atrito, deixando o piloto vulnerável a quedas.

Pedras, óleos, bueiros, trilhos de trens, etc – são verdadeiras armadilhas com as quais o motociclista pode se deparar.

Até o excesso de luminosidade pelo automóvel em faixa contrária e pelo sol nascente ou poente, podem trazer riscos a uma bom e seguro deslocamento.

Portanto, o fato de uma motocicleta ser composta apenas por duas rodas não justifica o perigo em si, mas sim um conjunto de fatores que interferem na boa condução da mesma.

E, pra finalizar, considerando-se os fatores anteriormente citados, nada melhor que minimizar os riscos de um acidente obedecendo as leis de trânsito e de fazer o uso de equipamentos de proteção individual.

O capacete é obrigatório, mas também é recomendável que se invista em roupas adequadas, botas, luvas, óculos, etc, no intuito de aumentar sua segurança física e proporcionar um prazeiroso e confortável tráfego nos mais diferentes tipos de vias.

Viva a liberdade sobre duas rodas!

Rogério Francisco Vieira.
Biologo e Professor


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Belo Cogumelo

Estes cogumelos foram fotografados no mês de novembro de 2010 em Curitiba, na Rua Máximo João Kopp, na entrada que dá acesso a Escola de Governo do Paraná, junto ao Centro Judiciário de Santa Cândida.

Trata-se de um fungo da espécie Coprinus comatus, sendo que na fase em que se encontra pode ser consumido. Ao amadurecer, escurece e fornece uma tinta que, segundo a história, foi usada para assinatura da Independência Norte-americana.

De acordo com referências médicas, estes cogumelos apresentam propriedades bioquímicas importantes no tratamento da diabetes e como agentes anti-inflamatórios.

Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Conscientização Ambiental - parte 3

INICIATIVA PARA A CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL NA PRÁTICA RITUALÍSTICA JUNTO AOS SÍTIOS DA NATUREZA – CAMPOS, RIOS, CACHOEIRA, PRAIA, ETC.

EUTROFIZAÇÃO OU EUTROFICAÇÃO
Trata-se de um fenômeno ocorrido nos ambientes aquáticos que diminui drasticamente a quantidade de gás oxigênio dissolvido na água, provocada pela ação de microrganismos saprobiontes, causando a morte de peixes. Isso decorre, na maioria das vezes, pela ação antropogênica, ou seja, por intermédio de pessoas que despejam materiais orgânicos principalmente em águas de lago, lagoa, represas e rios de pequena correnteza. Verifica-se também nesses locais, acúmulo de algas planctônicas que competem com os animais o O2 disponível na água, agravando mais ainda a vida daqueles animais.

Matéria Orgânica
Corresponde ao material que forma as estruturas típicas dos seres vivos. Incluem-se nessa categoria os carboidratos, as gorduras, as proteínas, as vitaminas e os ácidos nucléicos. Estão presentes na matéria viva, nos cadáveres e, conseqüentemente, em nossos lixos domésticos.
O lixo domiciliar das famílias brasileiras é constituído de 52,5% de resíduos e restos orgânicos. (fonte: Philippi Júnior, 1999)
Geralmente são de fácil degradação, sendo responsáveis em devolver ao solo muitos dos nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas.
Porém, o acúmulo inadvertido de matéria orgânica exposta no ambiente, pode contribuir com a atração e multiplicação de animais vetores de doenças, principalmente de insetos.
A separação seletiva do lixo contribui com uma economia na produção de novos materiais pela reutilização e reciclagem dos resíduos sólidos, além de reaproveitar a matéria orgânica dispensada na produção de adubo orgânico, pela técnica de compostagem.

“Ambiente Poluído não é morada de Orixá”.

Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Conscientização Ambiental - parte 2

INICIATIVA PARA A CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL NA PRÁTICA RITUALÍSTICA JUNTO AOS SÍTIOS DA NATUREZA – CAMPOS, RIOS, CACHOEIRA, PRAIA, ETC.

Materiais mais comuns encontrados juntos às oferendas:

PARAFINA – velas, moldes, etc.
As PARAFINAS BR são uma mistura de hidrocarbonetos saturados que apresentam elevado ponto de fulgor, tornando seu manuseio bastante seguro. Em função de suas características de inércia química e baixa solubilidade, não é considerado passível de causar danos ao meio ambiente. É um produto não tóxico. (www.br.com.br/portalbr)

VIDROS – garrafas, taças, copos, etc.
É um material não poroso que resiste a temperaturas de até 150ºC (vidro comum), sem perda de suas propriedades químicas e físicas. Isto permite a lavagem e a esterilização deste material, os quais são extremamente necessários para a saúde da população. Sua composição é de 72% areia; 14% barrilha; 11% calcário; 2% alumina; 1% corantes e descorantes.

PAPEL – embalagens, embrulhos, cartões, etc.
Sua matéria-prima é obtida a partir da madeira de pinus ou de eucalipto, principalmente. A pasta de celulose passa por vários processos conforme o tipo de papel que se quer obter.
Sua reciclagem utiliza 50 vezes menos água e metade da energia necessária para a produção de papel a partir da madeira.
O papel leva de 1 a 4 meses para se decompor.

METAIS – latas, moedas, medalhas, talheres, etc.
São obtidos a partir de minerais não renováveis (bauxita, hematita, etc.).
A cada quilo de alumínio reciclado, cinco quilos de bauxita (minério de onde se extrai o alumínio) são poupados. São necessárias 5 toneladas de bauxita para a produção de uma tonelada de alumínio.
Os metais que oxidam (enferrujam) levam muito tempo para serem decompostos no ambiente, como é o caso dos produtos a base de aço. Já o alumínio é extremamente resistente a oxidação.

PLÁSTICOS – copos, pratos, talheres, etc.
São polímeros cuja matéria-prima é o petróleo. Não são tóxicos e sim inertes, daí sua ampla utilização como embalagens para alimentos, bebidas e medicamentos. Uma sacola plástica comum leva em torno de 400 anos para ser degradada. Além disso, pode provocar a morte de animais por sua ingestão e colaborar com lixo que entope bueiros, contribuindo com inundações.

TECIDOS – toalhas, fitas, cordões, etc.
Alguns possuem origem orgânica (fibras vegetais). Já outros são sintéticos obtidos a partir de material plástico e, conseqüentemente, de degradação lenta. Também podem contribuir com entupimento de dutos e córregos, facilitando a alagamentos.

“Ambiente poluído não é morada de Orixá.”

Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor

domingo, 30 de maio de 2010

Conscientização Ambiental - parte 1

INICIATIVA PARA A CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL NA PRÁTICA RITUALÍSTICA JUNTO AOS SÍTIOS DA NATUREZA – CAMPOS, RIOS, CACHOEIRA, PRAIA, ETC.

Lixo: tudo que não pode ser reaproveitado ou reciclado.

Resíduo: tudo que ainda pode ser parcialmente aproveitado ou totalmente utilizado.

Reutilização: dar nova utilidade a um material. Ex.: uma lata de alumínio vazia pode ser transformada em um porta-canetas.

Reciclagem: processar o material, aproveitando sua matéria-prima para a fabricação de outros tipos de materiais. Ex.: uma lata de alumínio reciclada na fabricação de papel-alumínio.

Composição dos resíduos domiciliares
52,5% orgânico (resto de alimentos)
24,5% papel (jornais, revistas, embalagens, etc)
16,2% diversos (embalagens de salgadinhos, etc)
2,9% plásticos (garrafas, embalagens, etc)
2,3% latas de aço (embalagens, tampas, etc)
1,6% vidro (vasilhames, copos, etc) fonte: Phillipi Jr, 1999
- de cada 100 garrafas PET – 15 são recicladas.
- de cada 10 pneus inservíveis – apenas 1 é reciclado.
- o vidro é 100% reciclável.
- atualmente o alumínio é considerado o material reciclável mais valioso. Uma tonelada vale em torno de 500 a 700 dólares.
62 latinhas de alumínio = 1 Kg

“Ambiente poluído não é morada de Orixá.”

Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mensageiros do saber

No passado, nossos ancestrais observavam os sinais ao seu redor com a intenção de se relacionarem com o ambiente, a fim de obterem uma orientação. A disposição das estrelas, o sol, a lua e os eventos climáticos faziam com que pudessem se preparar para a caça, para a dança ou, simplesmente, para saírem em longas excursões.

Porém, nem todos tinham a sensibilidade para perceber e interpretar tais indicativos naturais,uma vez que naquela sociedade começava a surgir uma incipiente divisão de trabalho. Assim, os que aprenderam a associar tais informações, revelavam-nas ao grupo, possibilitando a este uma organização estratégica, conforme cada propósito.

Esse elemento capaz de armazenar conhecimentos e transmiti-los aos demais, sentiu a necessidade de preparar outros indivíduos que pudessem ter essa capacidade de serem, também, o porta-voz desses ensinamentos: surge o professor.

Hoje, nessa imensidão de informações, cabe ao professor sistematizar o conhecimento, facilitando a apropriação dos mesmos de acordo com o grau de capacidade de discernimento e aplicabilidade por parte daqueles que se beneficiam de tais informações.

Benditos professores que nos facilitaram e nos ensinaram a interagir com o conhecimento.

Vendo as estrelas, permitiram que pudéssemos conhecer os astros e chegarmos a pisar a lua; do calor do sol pudéssemos converter sua energia e aplicá-la nas mais diferentes formas; dos eventos climáticos, extrair suas mais sutis revelações e até mesmo criar mecanismos que nos permitem prevê-los, prevenindo surpresas desagradáveis.

O conhecimento não acabou...
Sinais indeléveis cercam o homem moderno que ainda carrega o instinto da ignorância e medo do novo, tal como acontecia com seus antepassados.

Benditos sejam , cada vez mais, os professores que puderem estabelecer a ponte entre o objetivo e o subjetivo, entre o entendido e o subentendido, entre o material e o espiritual.

Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor