Viver numa sociedade
onde ocorre a divisão de trabalho entre seus membros não é um fato exclusivo
entre os seres humanos. Algumas espécies de insetos, como as abelhas por
exemplo, praticam harmonicamente uma natural hierarquia funcional, influenciada
por uma pré-disposição genética. Numa colmeia, zangões com um patrimônio gênico
reduzido diferenciam-se das operárias e das rainhas, tanto em tamanho quanto em
sua participação sistemática na sociedade melífera.
O fato mais determinante
que nos diferencia dentre os demais personagens da diversidade faunística do planeta – além da
capacidade racional acentuada – é a sensação de compadecimento que podemos ter
uns pelos outros. Dessa forma, movidos
por um espírito fraterno, somos levados às mais diversas ações para
atender aos mais necessitados, àqueles que ainda, infelizmente, figuram
negativamente as estatísticas sociais ou ambientais.
Segundo os registros
históricos, o termo filantropia é atribuído a Flávio Cláudio
Juliano, um imperador romano com breve mandato de 20 meses, iniciado no ano
de 361 dessa Era Cristã, encerrando-se precocemente com sua morte.
Juliano foi severamente
combatido pela Igreja Romana pelo fato de dar valor ao paganismo,
reconhecendo-o como uma forma de religiosidade. Sua atitude teve classificação
herética por parte das autoridades religiosas, passando a ser considerado um
apóstata, pois renuncia sua condição de cristão, ao reconhecer tais
manifestações populares com todo seu escopo religioso tido como pagão, desconsiderados
pela hegemonia católica daquela época.
Assim, o surgimento da
expressão filantropia aparece como uma forma alternativa no lugar da tão
pregada “caridade”, sedimentada nos meios do catolicismo daquele tempo,
reiterada por campanhas fraternas nos dias de hoje. Ainda nesse sentido,
movimentos espiritualistas modernos chegam a sugerir que “sem caridade não há
salvação”, numa alusão explícita de que todo ato humano está sujeito a uma
aprovação divina, numa perspectiva de se conquistar as graças da salvação.
Saindo da seara
religiosa, a filantropia figura como o mais puro amor à humanidade, seja
realizada por iniciativa individual, como também por uma ação coletiva e
organizada em clubes de serviços, intervenções governamentais, movimentos de
instituições privadas ou simplesmente por comoção de grupos formados para sanar necessidades emergenciais.
Ademais, o filantropo
não fica restrito apenas em auxiliar o seu próximo, ao indivíduo de sua própria
espécie. Sua ação inclui o socorro aos animais abandonados que não contam com a
sorte da assistência de um responsável; aos animais silvestres, na garantida de
uma ambiente que possibilite sua perpetuação e as plantas que, exploradas de
forma impiedosa, veem-se na eminência da extinção, agravando incisivamente o
aspecto ambiental do planeta.
Por fim, a filantropia é
tida como a prática incondicional para o atendimento das mais variadas
necessidades que podem atingir direta ou indiretamente o ser humano, num
exercício efetivo do humanismo na busca da construção de uma sociedade mais
justa e igualitária.
Biólogo e Professor

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