sábado, 7 de julho de 2012

Pela Justiça Social


Quando se trata de política, pelo menos uma coisa passa a ser a máxima dos discursos, independente da ideologia praticada: a “Justiça Social”. Até mesmo os governos absolutistas, fundamentalista e ditatoriais, sustentam um discurso de que a administração deve ser comandada com braço forte a fim de garantir aos seus tutelados o atendimento às suas necessidades e, portanto, cada qual recebendo o que lhe é “justo”. 
            
Porém, só é justo aquilo que se traduz em verdade e que está acima de qualquer dúvida, expressando uma condição irrepreensível quanto ao seu valor. Esses dois elementos – justiça e verdade – corroboram para instalação da mais perseguida sensação idealizada pelo ser humano: a liberdade. Essa tríade formada pela justiça, pela verdade e pela liberdade seria a grande responsável pela construção do modelo ideal para o convívio harmônico de todos os indivíduos de um núcleo social. 

Acontece que o substrato fértil para esse modelo, representado pela verdade, é relativizada em sua prática pelos interesses dos homens o que acaba distorcendo a sua verdadeira essência. Esse artifício serve para ajustar a real intenção de cada um pois, o que é verdade para um, passa a ser erro, ou no mínimo um equívoco, para outro. 

Assim, a análise de uma sociedade é feita sob a ótica de uma realidade e não de uma verdade. Tal verdade só poderia ser obtida com o auxílio dos outros dois elementos dessa tríade formada pelos adjetivos sublimes ora citados, coisa muito longe de ser alcançada, ainda. Nossa sociedade está muito aquém de ser considerada a ideal. 

Nessa pluralidade de discernimentos e embalados pelos fundamentos democráticos, busca-se incessantemente a instalação dessa tão sonhada “justiça social”. Longe de se querer que todos tenham a mesma opinião, gostem da mesma cor ou que tenham o mesmo paladar. O grande sinergismo está na capacidade de se reconhecer e se respeitar as diferenças, sejam elas filosóficas, religiosas ou ideológicas. Como ser “da” justiça social se ela ainda não existe? 

Ao se rotular algo como sendo disso ou daquilo, fazemos referência algo que já existe, é ponto pacífico. Veja o exemplo: tal artigo é “da” constituição; a estrela faz parte “da” constelação; o pinheiro-do-paraná é típico “da” floresta de araucárias; etc. 

Quando se trata de um movimento político imbuído de nobres valores para atender os anseios populares, torna-se mais apropriado a terminologia “pela” em substituição ao termo “da”, numa alusão explícita daquilo que se tem por objetivo conquistar. Vejamos as campanhas: “movimento pelas diretas”; “movimento pela liberdade religiosa”; “passeata pela liberdade de imprensa”; etc. 

Sendo assim, uma legenda política deveria carregar em seu nome a verdadeira intenção na busca da construção de uma sociedade muito mais equilibrada, madura e evoluída. Por isso sua correta denominação de PARTIDO PELA JUSTIÇA SOCIAL, pois se ela já existisse não haveria tantos conflitos, tantas guerras e tantas desigualdades.

Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor 

Nenhum comentário:

Postar um comentário