terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Equivocada Jactância Bairrista.


Tudo bem que valorizar a prata da casa é importante.

Reforçar os costumes e a cultura local, transmitir de geração em geração a bagagem histórico-cultural da terra e de seus personagens é louvável. Isso dinamiza a coerção do grupo, conservando suas peculiaridades e o distingue de outros tipos de associações. Afinal, a pluralidade cultural torna o país encantador e fascinante.

Se pertencemos a mesma espécie, o patrimônio genético segue o mesmo padrão. A organogênese é a mesma: braços, pernas, dedos, tudo distribuído conforme o modelo anatômico humano. Apenas os fenótipos denunciam as características étnicas que, biologicamente, não chegam a definir raças entre os humanos.

Portanto, entender que somos iguais, fica mais fácil reconhecer e respeitar as diferentes opiniões e tradições. Essa aceitação só deixa de existir quando tratada politicamente, onde um grupo quer possuir uma hegemonia sobre o outro, numa relação de domínio e de posse, de imposição de uma filosofia totalitária onde o dominador garante as facilidades da camada favorecida, mantendo o status quo da máquina insensível de exploração.

Privilegiar algo ou alguém só pelo fato de pertencer a sua área geográfica ou grupo social e, pior, fazer uma apologia xenofóbica é, no mínimo, uma demonstração de um livre arbítrio comprometido. Uma escolha nem tão livre e com baixa generosidade.

Nada melhor que fazer uma escolha sem se levar em consideração as amarras bairristas e livre de um sentimento de culpa.

Posso ser brasileiro, mas fazer a opção pelo rock ao invés do samba.

Posso ser paranaense, mas preferir feijoada no lugar do barreado.

Posso ser curitibano, mas ter uma maior simpatia pelo Fluminense em relação ao Coritiba.

Isso não me torna menos brasileiro, menos paranaense ou menos curitibano.

Afinal, numa linguagem metafísica, nós não somos – nós estamos – pois tudo é relativo.

Rogério Francisco Vieira
Biólogo, professor e coxa-branca (mas também torcedor do Tricolor das Laranjeiras, do Colorado gaúcho e do Verdão paulista).

6 comentários:

  1. Belas palavras, admirável sua produção.

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    1. Adorei vc falar em bairrismo, pq em tempos de globalização, é isso mesmo, moramos apenas em bairros, ou melhor, em ruas diferentes e vamos nos visitar nesta bicicleta navegadora, a internet, esta bicicleta do E.T. rsrsrs
      LilianLima

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  2. Viva a Diversidade com amor ao próximo. É isso ai Grande Rogério.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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