Primeiramente, nada contra o Luís Inácio da Silva. Porém, tudo contra àqueles que querem canonizá-lo.
Minha opção política sempre foi o socialismo. Em nossa infante democracia tive a oportunidade de votar em políticos desse viés pragmático, uns firmes em seus ideais, outros menos que, por conta de um capitalismo globalizado avassalador, praticam seu mimetismo fisiológico, assombrados pelo medo de sofrerem a amnésia por parte de seus futuros ou fiéis eleitores.
Gosto do Lula! Pessoa comum e visceral como a grande maioria dos brasileiros. Toma cachaça, conta piada, torcedor apaixonado, enfim, um cara do bem e que se deu bem.
Num sistema capitalista, não é pecado enriquecer. Muito pelo contrário, se embasado em princípios protestantes então, é uma benção. Isso porque não basta ter, tem que mostrar a graça obtida e demonstrar a grandiosidade de seu Deus pelas suas conquistas que enchem os olhos dos incautos incrédulos, também ansiosos em ter o carro do ano, a casa de veraneio, as roupas de marca, etc. Não era o caso do Lula, sem nenhuma ironia no comentário.
É natural perceber que um malte escocês é bem melhor que a cachaça, que além da piada, Mozart faz bem aos ouvidos e regozija a alma e que o futebol, mais que paixão, é mais uma das formas de desportismo que pode trazer saúde e disciplina e não apenas fazer milionários que preferem os euros ou dólares, contribuindo com a fantasia de jovens que deixam os livros e se lançam de pés e cabeça na ilusão de poucos.
O grande problema não é o LULISMO, mas sim o LULINISMO.
O Lulismo reúne os admiradores de Lula. Seja apenas no pleito, fazendo o “L” com a mão ou vibrando com suas aparições na mídia, enaltecendo a diminuição da pobreza e ignorância do país, mesmo que isso seja uma tendência mundial, independente da opção partidária. De burro ele não tem nada. Lembram-se do episódio em que ele alertou Requião que mamona não é comestível e sim combustível, enquanto o ex-governador do Paraná enchia a boca daquele fruto? Ser Lulista é gostar do Lula e admitir que na condição humana, erra-se e tenta-se aprender com os erros.
O grande equívoco está prática do LULINISMO. Uma doutrina que propaga os feitos de Lula e que não admite macular a imagem desse "santo" cidadão. Que tenta blindar o seu caráter "puro" e até "ingênuo", diante das trapalhadas de seus seguidores. Afinal, sua aura "límpida e cristalina" nada tem em comum com esses Judas envolvidos com escândalos dilapidadores do erário público. Ao ver tanta trapalhada, Lula deve pensar “Pai, perdoa porque eles não sabem o que fazem, deviam ter me consultado como fazer”.
Ser Luninista é encontrar o erro em terceiros. É achar que o legislativo é acéfalo e que faz o jogo de uma imprensa corrupta contra seus discípulos. Que é natural que os sindicatos cobrem seus dízimos de seus filiados e tentem fazer de seus dirigentes vereadores, deputados, senadores, etc, em nome da força de sua categoria, reforçando sua representação e aumentando sua legião de fiéis.
Ser Lulinista é fazer o profano virar sagrado. O humano virar um mestre ascencionado e arrebanhar seguidores prontos a lutar contra tudo e contra todos que possam manchar a sublime imagem de seu líder.
Assim, como não foi Jesus que criou o cristianismo, tenho certeza que Lula não teve o objetivo de fundar o Lulinismo.
Na esfera espiritual, muitos erros foram cometidos pelos cristãos.
Tomara que na esfera política, os Lulinistas não cometam atrocidades ao ponto de, em nome de Lula, provocarem uma guerra entre seus semelhantes que não seguem seus dogmas.
Rogério Francisco Vieira.
Professor e Biólogo.
Curitiba, novembro de 2012.

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