Bananas ainda colhidas verdes podem passar por um processo de amadurecimento acelerado quando colocadas em estufas com gás etileno.
Tal gás estimula a maturação desse suculento fruto partenocárpico, deixando-o apto ao consumo, não requerendo por parte do consumidor mais do que a presença de suas propriedades organolépticas padrões e já bem conhecidas há muito tempo.
Porém, o prazo para a conquista de tais qualidades passa desapercebido pelo ancioso consumidor, desde que atenda aquilo que se espera dele: qualidade nutricional.
Pegando carona nessa ânsia de prover o quanto mais rápido o comércio com seus agroprodutos, assistimos à disputa cerrada entre estufas educacionais, que prometem frutos acadêmicos de safra curta de, pasmem, dois anos entre o plantio e a colheita.
Contrapondo-se ao seletivo processo de envelhecimento em barris de carvalhos que prezam pela fermentação de sua produção acadêmica em safras especiais, para oferecer aquilo do que dela se espera: qualidade profissional.
Não bastasse o tempo abreviado na formação de novos profissionais, podemos continuar nossa metáfora agro-pedagógica com a inclusão dos astros da biotecnologia genética - os transgênicos.
Apresentados como a solução para matar a fome do mundo, campeões de produtividade e de resistência aos fatores ambientais, não conseguiram reproduzir na prática as promessas que se propunham realizar, além de criar conflitos entres governos, ambientalistas e com o mercado internacional.
Protagonistas de uma trama que mescla ficção e romance, perigosa sedutora de influentes governantes atraídos por interesses multinacionais.
Agora chegou a vez dos transpedagogênicos tentarem convencer e conquistar os mercados que, infelizmente, estão cada vez mais tolerantes na utilização de soluções mais baratas e rápidas, num modelo capitalista que corre o risco de ter um prazo de validade reduzido por conta de sua própria ganância e autofagia.
Se a perfeição é difícil de ser obtida, pior ainda com a ânsia mercantil em vislumbrar lucros rápidos e sem grandes compromissos.
Como será esse OPM (Organismo Pedagogicamente Modificado)?
Atenderá as necessidades das populações mais carentes, principalmente dos mais longínquos pagos?
Terá um custo-benefício mais atraente na construção de uma sociedade autônoma e soberana ou irá necessitar de atualização mais freqüente em workshop promovido por instituições que detêm a patente desses modelos importados de catalisação do conhecimento?
Por fim, tais indagações só o tempo responderá, apoiado na máxima darwiniana que garante a sobrevivência dos mais aptos.
Convencionais ou não, o sucesso e a realização de cada um passa, invariavelmente, pela atenção que se dá a educação.
Rogério Francisco Vieira
Biólogo e Professor

Excelente! Será que já há indícios de ou hipóteses para responder a pergunta: "Como será esse Organismo Pedagogicamente Modificado?"
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