A natureza sempre serviu de inspiração para o homem
criar, compor, copiar, descobrir, enfim obter dela benefícios para suas mais
diversas necessidades.
O tempo passou, os movimentos tectônicos alteraram o
relevo do planeta, a revolução industrial catalisou o processo de
desenvolvimento tecnológico da sociedade e nesta altura o Homo sapiens já contava com um encéfalo três vezes maior que seus
primeiros ancestrais, garantindo sua hegemonia perante os demais animais, afirmando sua capacidade racional.
Durante todo esse processo de aprimoramento como ser
humano, o som foi modulado ao ponto de se transformar em sinais perceptíveis,
possibilitando as primeiras formas de linguagem.
As primeiras ferramentas facilitaram sobremaneira as
atividades, reduzindo o gasto mecânico para sua execução permitindo maior tempo
para o inter relacionamento entre seus pares.
Com isso, os humanos passaram a tentar compreender as relações
afetivas que os ligavam, rompendo sua primaria necessidade visceral de
sobrevivência.
A imensa quantidade de sentimentos e conhecimentos
acumulados mostrou que seria necessária sua sistematização caso contrario,
haveria uma convulsão no trato das informações ao ponto de torná-las inúteis ou
incompreensíveis.
Sendo assim, eis que surge o Positivismo para
sistematizar todo o conhecimento humano, impulsionando o progresso cientifico
em todas as áreas.
A mensuração dos dados tornou-se uma condição sine qua non na relação com as pessoas e
com o ambiente.
O racionalismo ganhou espaço enquanto que o
sentimentalismo foi quase que totalmente banido do meio acadêmico para ficar
restrito nos âmbitos artísticos, filosóficos e religiosos.
Talvez isso tenha potencializado os sistemas capitalistas
de produção, fazendo do indivíduo essencialmente executor de função, garantindo
o combustível necessário a produção dos ávidos consumistas.
Em Ecologia, uma “cenose” se refere a maneira como um ser
se relaciona com os outros de forma harmônica ou desarmônica.
Nos órgãos governamentais ou na iniciativa privada, as
cenoses laborais podem ser comparadas aquelas vistas nos ambientes naturais.
Porém, chefes, diretores, encarregados ou coordenadores
são os responsáveis em imprimir o tipo de modelo produtivo da equipe, com ou
sem harmonia – por mais que a intenção seja a de se atingir a meta pretendida.
Mesmo que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)
tenha surgido para garantir os direitos dos trabalhadores e coibir eventuais
abusos do empregador, a vaidade pelo poder ainda continua fazendo as suas
vítimas
Para alguns dirigentes, não basta a autonomia eficiente
por parte dos seus súditos.
Faz-se necessária a veneração, o medo, o reconhecimento
da hierarquia que está formada e que deve ser mantida.
A iniciativa privada é mais incisiva no estabelecimento
da “lei do mais forte”.
Os incomodados que se mudem!
Enquanto isso, nas administrações públicas, é o fator
político que costuma a dar o ritmo dos trabalhos.
Se não for apadrinhado de alguém, dificilmente o servidor
poderá demonstra seu talento de forma independente.
Suas iniciativas, por mais ingênuas que pareçam, levantam
a suspeita de uma atitude tendenciosa contra ou a favor do governo reinante.
Enfim, as relações laborais podem ser comparadas as
“cenoses” estabelecidas em diferentes habiats naturais.
Desde o predatismo, onde sempre haverá uma vítima até o
comensalismo onde todos serão beneficiados em prol do conjunto.
Rogério
Francisco Vieira
Biólogo
e Professor

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